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San Blas: ilhas (quase) particulares no Caribe

13 out 2016

Toda vez que penso em uma ilha, logo me vem na cabeça a definição que aprendi na escola: ilha: pedaço de terra cercado de água por todos os lados. E junto com a definição me vem a imagem da típica ilha de desenho animado, aquele montinho de areia, deserto, com água em volta e coqueiros em cima. Mas sabemos que essa imagem de ilha só existe em desenho animado, certo? Errado! Essa ilha existe, e é em San Blas.

San Blas no Panamá

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Sobre San Blas

O arquipélago de San Blas reúne 365 ilhas. Todos da região brincam que tem 1 ilha para cada dia do ano, mas nem todas são habitadas. O grupo de ilhas faz parte da comarca Kuna Yala (ou Guna Yala), ao longo da costa caribenha do Panamá. Toda essa região já foi alvo de disputas devido aos seus recursos naturais. Os Kunas, índios da tribo que vive nessa região, lutaram para manter seu território, cultura e tradição, até conquistarem o direito de ser uma região indígena autônoma. Hoje, o Panamá não interfere em nada na região e para entrar lá é necessário passar por uma fronteira meio improvisada e até apresentar o passaporte! É proibido qualquer tipo de exploração dos recursos naturais dessa região e qualquer investimento estrangeiro. Por esse motivo, San Blas continua a ser esse paraíso intocado, onde os visitantes têm uma experiência única e tão próxima com a natureza.

Os Kunas não são muito simpáticos nem acolhedores. Estão sempre te olhando com um pé atrás, é difícil arrancar um sorriso e eles cobram preços muitas vezes abusivos nas ilhas. Mas como não tem outra opção, temos que aceitar. Apenas eles podem lucrar com o turismo local e eles aprenderam como fazer isso direitinho!

mapa san blas panama

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Quantos dias ficar em San Blas

Isso é muito relativo! Depende de quanto tempo você terá disponível. Eu infelizmente só pude fazer um bate-volta por conta do tempo, mas com certeza ficaria mais dias lá, por diversas razões:

  • O valor do transfer ida e volta é o mesmo independente se você faz um bate-volta ou se fica, 2, 3, 4… dias. Ficando mais tempo o valor do transfer é diluído.
  • Para entrar na comarca você paga um total de $22 de taxa, independente de quantos dias você ficar por lá. Ficando mais tempo esse valor também fica diluído.
  • Além da questão financeira, a razão mais importante é que o arquipélago oferece uma enorme possibilidade de ilhas maravilhosas, e é sofrido escolher apenas uma.

 

Então, a dica que eu dou é: se tiver tempo disponível fique uns 3 dias por lá!
Mas  vale lembrar que é uma comarca indígena, com 320 mil hectares de floresta preservada, ilhas praticamente nativas, sem luxos, muitas delas sem energia, um único banheiro usado por todos, e com opção de hospedagem em cabanas, apenas com a luz da lua e das estrelas. Se você acha que não consegue ficar sem internet, que não dorme sem ar condicionado e só toma banho quente, desista de ficar por lá. Faça só o bate-volta.

Para o passeio bate-volta o transfer te pega por volta de 5h no hotel e volta umas 16h do porto para Cidade do Panamá.

Como chegar em San Blas

San Blas fica a 100km de distância da capital. Você pode chegar lá de várias forma a partir da Cidade do Panamá.

Com agência:

Se você é do tipo que prefere pagar mais pra não ter trabalho, feche direto com uma agência ou até mesmo com o seu hotel.  Como eu não fechei com agência não tenho nenhuma para indicar, mas basta dar um google para encontrar. Para você ter uma referência, meu hotel cobrava $180 pelo passeio bate-volta. Pra quem vai se hospedar nas ilhas, a agência cuida dessa parte também. Neste caso, se você não quer ter o trabalho de cuidar dessa parte com os Kunas, vale a pena fazer com a agência. Mas no caso do bate-volta, acho desnecessário. Melhor contactar direto o transfer. Nas minhas pesquisas, li algumas reclamações de pessoas que fizeram com agência, dizendo que, ao pegar os passageiros, eles levam todos para a agência para pagar e passar algumas informações, o que faz perder quase 1 hora só nessa função.

Com transfer:

Foi a forma que escolhi de organizar meu bate-volta até San Blas.
Usando essa forma de organizar, você precisa entrar em contato com a pessoa que faz o transfer da Cidade do Panamá até o Porto de Cartí em San Blás, e depois entrar em contato com um barqueiro que faz o trajeto do porto até a ilha que você escolher. A motorista do transfer que eu escolhi facilitou minha vida e ela mesma fez o contato com o barqueiro da panga (o tipo de barquinho que leva até a ilha).
Adorei o serviço dela, super pontual, simpática, carro bem conservado, não corre na estrada e você pode fazer contato via whatsapp. Eu recomendo fazer com ela, pois foi tão fácil como fazer com agência, e muito mais barato.

Contato Transfer San Blas: Mari
Cel/Whatsapp: +507 6507 5246
Custo do passeio bate-volta: $22 de imposto + $30 panga + $50 transporte ida e volta (valor de julho de 2016) – Total: $102
Esse valor é o mesmo se você ficar mais tempo. Basta combinar o dia e horário da volta para que a Mari esteja esperando por você no Porto.

Ela nos deixou no porto, onde sentamos numas mesinhas bem simples e fizemos o pagamento para uma Kuna. Ficamos lá alguns minutos aguardando a panga que nos levaria até a ilha. Tinham outras pessoas aguardando também. Junto com a gente foi uma outra menina, que ficou na Isla Diablo. Nós descemos antes, na Isla Perro Chico.

De carro:

Pra chegar no porto de carro é necessário um carro maior, como uma 4×4. Como o caminho é uma serra, cheia de curvas, acho perigoso ir sozinho se você não está acostumado e não conhece o caminho. Mas fica a seu critério. Com várias pessoas, de repente vale a pena alugar o carro, pois pode sair mais barato. Se forem 2 pessoas, não arrisque, vá de transfer. Antigamente somente carros autorizados podiam passar por lá. Mas isso mudou, assim como a estrada que era de terra e bem desconfortável, e agora está asfaltada, tornando o trajeto mais rápido e menos sofrido.

O trajeto de caminhonete leva umas 2h30 por uma estrada bem sinuosa até chegar no porto. O tempo no trajeto de barco vai depender da ilha que você escolher.

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De avião:

É possível chegar a San Blas de avião, até o aeroporto El Porvenir. A Air Panamá faz esse trajeto em um avião teco-teco e a viagem até lá é bem rápida, menos de 30 minutos, partindo da Cidade do Panamá. Chegando em El Provenir o trajeto é o mesmo: um barqueiro te levará até a ilha escolhida.

De veleiro:

Essa era uma forma que eu gostaria muito de ter feito até San Blas. Existem diversas empresas de veleiros que fazem esse passeio de vários dias. Como eu estaria na Colômbia antes do Panamá, pensei em pegar o veleiro que faz o trajeto Cartagena-San Blas em 6 dias. Mas por falta de tempo no meu roteiro não pude escolher essa opção! Deve ser demais fazer as ilhas de San Blas de veleiro. Tem várias opções de veleiros e dias em San Blas. Esses foram alguns dos que encontrei: Colombia Panama Sailing e Sailing Life Experience

 

Onde ficar em San Blas

Se você não vai apenas fazer um bate-volta, vai precisar reservar uma hospedagem. Para escolher sua hospedagem você tem duas opções: agências ou direto com os índios. Nem todas as ilhas tem estrutura de hospedagem. Veja no site Melhores Destinos as opções de ilhas com cabanas, camping ou hoteis/lodges.

Mas uma coisa eu posso dizer: na área mais bonita de San Blas não há nenhum hotel grande, apenas as hospedagens mais roots oferecidas pelos índios. A Iguana é uma ilha linda com uma melhor estrutura, e há um ano li que eles estavam com previsão de instalar banheiros privativos. Confirme antes de ir.  Mas não espere luxo em San Blas. Vá de mente e coração abertos e curta a natureza, o nascer e o pôr do sol!

Ilhas

Como minha passagem foi rápida, pude escolher apenas uma ilha. Escolhi a Isla Perro Chico, além de ser uma das mais bonitas, ela tem um navio naufragado bem na frente, onde é possível fazer snorkel pelos destroços do navio cheio de corais. É a coisa mais linda! Tem também uma rede de volei, algumas mesinhas e cadeiras de madeira na areia, e em 10 minutos, no máximo, você dá a volta na ilha.  Dentre tantas ilhas maravilhosas, escolher uma foi muito difícil, mas não me arrependi nem um pouco. A ilha estava vazia, a comida era deliciosa, tinha uma cabaninha vendendo produtos locais, um balanço pendurado num coqueiro… Não dá pra descrever o tanto que amei essa ilha. Mas confesso que fiquei com gostinho de quero mais. Como é uma das ilhas mais bonitas, evite ir pra lá nos fins de semana, pois ela certamente estará mais cheia! Por tudo que eu li, fiquei com muita vontade de conhecer Cayos Holandeses, mas só é possível se você ficar mais tempo em San Blas, pois é uma das ilhas mais distantes do porto, fica a umas 2 horas de barco. Mas ainda vou voltar para ir lá! Ah vou!

Ficando mais de um dia, você pode transitar entre as ilhas. Basta combinar com os kunas, pagar uns dólares e visitar outras ilhas. Na frente da Isla Perro Chico, onde fiquei, está a Isla Diablo. Mas é proibido fazer a travessia a nado entre as ilhas. Mesmo sendo perto, você precisa atravessar de barco.

No site Melhores Destinos tem a descrição de várias outras ilhas para vocês decidirem, já que só posso falar sobre a que eu fui!

Isla Perro em San Blas no Panamá Isla Perro em San Blas no Panamá Isla Perro em San Blas no Panamá Isla Perro em San Blas no Panamá Isla Perro em San Blas no Panamá Isla Perro em San Blas no Panamá Isla Perro em San Blas no Panamá Isla Perro em San Blas no Panamá  Isla Perro em San Blas no Panamá Isla Perro em San Blas no Panamá Corais no navio naufragado em Isla Perro Chico, San Blas, Panamá

Informações úteis sobre San Blas

  • Os Kunas não gostam de ser fotografados.
  • Levem (muito) dinheiro em espécie e de preferência trocado. Muitas ilhas não tem nem energia, muito menos máquina de cartão.
  • Melhor época para ir para San Blas: De dezembro a março é a temporada seca. A probabilidade de chuva é bem pequena. Mas se você vai em outra época, vale a pena arriscar. Fui numa época ruim e quis arriscar. Não peguei um dia bom, e até choveu no caminho. Fiquei arrasada achando que não ia conseguir chegar até a ilha, mas consegui e, mesmo com tempo nublado e chuviscando em alguns momentos, não me arrependo nem um pouco. Com certeza quero voltar em um dia de céu azul para ver essa água ainda mais clara, mas mesmo assim eu amei e achei tudo maravilhoso. As fotos não me deixam mentir!
  • Levem o passaporte. Só entra na comarca com o passaporte em mãos.
  • Levem algumas coisas para beliscar durante o dia. O almoço costuma ter hora marcada e é necessário reservar assim que chegar na ilha.
  • Algumas ilhas tem uma cabaninha com venda de produtos locais. Eu queria uma lembrança de San Blas e comprei um lenço desses que as mulheres kuna usam na cintura. Custou $10. Tem bolsinhas, tecidos bordados, lenço pra cabeça, entre outras coisas.

 

Com essas informações dá pra organizar uma viagem incrível para um dos lugares mais lindos do mundo! Se aproveitarem as dicas, voltem aqui depois pra contar como foi!

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Marianne Rangel

por Marianne Rangel

Meio carioca, meio niteroiense, é apaixonada por viagens, mapas e pôr do sol. Jornalista de formação, largou seu emprego estável onde trabalhava para viajar, e foi viver a vida incerta de travel blogger. Hoje viaja para trabalhar, e é muito mais feliz!

18 Comments

Alexandra Joia

Adorei Mari. Ótima postagem, me deu vontade de ficar mais dias. Mas será que consigo ficar sem internet, ar condicionado e banheiro privativo?

responder
Marianne Rangel Marianne Rangel

Esse é o grande desafio, Alê! Acho que internet e ar é tranquilo! Mas muita gente não curte banheiro compartilhado. Eu arriscaria, mas precisa avaliar bem! Tem opção de hotéis e lodges, porém ficam longe das ilhas mais bonitas. Se fizer questão desse “luxo” terá que fazer viagens mais longas durante o dia a até as ilhas mais legais!

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Daniela Xavier

Nossa <ari, seu post é um guia completíssimo! Maravilhoso… todo esse paraíso compensa o banheiro privativo, ar condicionado e outros itens irrelevantes perante tanta beleza natural. Adorei!!!!

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Débora Resende

Que post maravilhoso e cheio de informações! Apaiixonada por todas as fotos 🙂 Fiquei com muita vontade de conhecer, apesar de ser aloka da tecnologia, adoro esses lugares mais “isolados”.

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Matheus Crespo

Fiquei louco pra conhecer essa ilha, caramba que lugar lindo. Parece realmente estar bem preservado e não ser tão turistico. Ainda cheio de cultura indígena hahaha queria me teletransportar pra lá agora.

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Eloah Cristina

Sou apaixonada pelo Caribe!!! Adoraria conhecer ele de ponta a ponta, sabe?

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Dayana

Para a pessoa aqui a informação de que os kunas não gostam de ser fotografados foi um ótimo aviso. hahaha

Sou a loka das fotografias! 😛

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Gisele Teixeira

Fiquei apaixonada pelo lugar e pelas fotos. Paisagens lindíssimas! Com certeza um lugar para a minha listinha! hahaha

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Gisele Prosdocimi

Realmente eu só faria um bate e volta à este paraíso, porque os motivos que você me deu para não ficar lá são mais do que suficientes. Eu não abro mão de um banho de água quente, internet e ar condicionado no calor. Então este destino eu adoraria conhecer, mas só em uma visita de um dia mesmo. Também não gostei da cara da senhora Kuna para quem você pagou o passeio de barco. Ninguém merece visitar lugares onde o povo não abre um sorriso espontâneo, sorte deles que o lugar que eles “vendem” é lindo.

responder
Marianne Rangel Marianne Rangel

É verdade. Eles sabem que têm uma mina de ouro nas mãos e talvez por isso não se esforcem tanto para serem simpáticos! Mas não são todos! Conheci um senhorzinho Kuna na ilha que foi super simpático e conversamos bastante! Ele me deu aé o tel dele pra ligar pra lá quando quisesse, pois não tem e-mail! hehe

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Simone Hara

Tenho muita vontade de conhecer! Provavelmente eu acabaria optando pelo bate volta, mas realmente é sofrido escolher apenas uma ilha nesse paraíso!

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Vaneza narciso

A opção do veleiro me pareceu encantadora. As fotos estão lindas e aumentou meu desejo de conhecer este paraíso.

Abraços!

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Tassia Mourão

Nossa, que post mais completo! Adorei! O lugar também parece ser maravilhoso! Estive no Panamá e não fui a essas ilhas. Vou ter que voltar! 😀

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